Crítica | T2 Trainspotting (2017)

Sarcasticamente engraçado, desnecessariamente nostálgico.

Quando foi anunciada a proposta de uma sequência para o premiado “Trainspotting”, de 1998, muitas possibilidades foram abertas assim como muitas dúvidas. Essa nova empreitada na franquia poderia ser de um sucesso e relevância tão fortes ou até mesmo superiores à do primeiro? Aumentar a velocidade e provocação do roteiro? Ou poderia esse ser um produto concebido e sustentado apenas no valor dos nomes envolvidos? “T2 Trainspotting” é de certa forma tudo isso.

Depois de vinte anos afastado dos seus amigos e passado Mark Renton (Ewan McGregor) sofre de complicações cardíacas que o forçam a voltar para Edinburgh, onde seus antigos amigos e parceiros no crime continuam assim como ele sem a menor ideia de como seguir com suas vidas. Daniel “Spud” Murphy (Ewen Bremmer) continua um viciado completo sem conseguir sequer uma boa relação com o filho, Simon (Jonny Lee Miller), que agora administra um bar decadente enquanto nas horas vagas chantageia homens ricos com a ajuda da acompanhante Veronika (Anjela Nedyalkova), Já Begbie (Robert Carlyle) passou os últimos vinte anos na cadeia onde sua fúria por ter sido traído por Mark apenas cresceu.

A dinâmica dos protagonistas, ajudada por um charmoso sotaque carregado, continua o ponto forte. O carisma de McGregor é contagiante especialmente na cena do bar e na entrega do seu monólogo. A narrativa não é tão instigante quanto o primeiro; é verdade, mas ainda assim funciona, em parte pela inclusão de sátiras muito pertinentes à cultura do vídeo que permeia a vida de hoje, uma atualização muito conveniente.

Embora tal qual o primeiro esse seja um exemplar de humor negro, criticando uma Europa em depressão econômica e sem perspectiva, enquanto o primeiro era sobre questões imediatistas e inconsequência, T2 é justamente o contrário, é um estudo sobre o peso das coisas estúpidas que se faria aos vinte e poucos. Na medida que o primeiro era sobre a juventude, o segundo é sobre envelhecer, sobre como é risível que homens de meia idade não tenham construído nem crescido nada em vinte anos, um retrato que a todo momento tenta se aproximar do filme de 96.

A esse ponto é provável que você como leitor esteja se perguntando porque minha insistência em colocar os dois filmes em justaposição, em lugar de avaliar este filme em si apenas, minha justificativa, consequentemente o maior problema do filme, é que o próprio não nos deixa esquecer o primeiro por um único instante que seja. São referências constantes de todas a formas possíveis, o que inadvertidamente acaba sabotando o que de outra forma poderia ter sido uma grande sequência.

Em dado momento Simon Critica Mark o acusando de ter voltado apenas pela nostalgia, como pode ser aferido a partir dos parágrafos de antes, T2 é um bom filme, mas essa é a impressão que fica no fim.

Nota: 7.0


Crítica por Pedro Victor

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