Crítica | Martírio (2017)

Antes de qualquer coisa é preciso dizer que Martírio é um filme de extrema importância para a história do Brasil.
O documentário dirigido pelo antropólogo Vicent Carelli (Corumbiara, 2009) acompanha as tribos Guarani Kaiowá em sua eterna luta por uma terra que lhes é de direito (comprovado historicamente) e pela sobrevivência de seu povo.

Filmado por décadas, Carelli retrata de maneira detalhada os sofrimentos e injustiças acometidos a esse povo que arrasta até hoje o estigma deixado por governos – de ambos os lados – além de fazendeiros e o sistema agropecuário.

A produção do filme não tem grandes arrobos cinematográficos e é bastante didática. O diretor, que aqui serve de narrador e pouco interfere na história que está sendo contada, contextualiza desde a Guerra do Paraguai, Tratado de Tordesilhas, até os dias atuais, desmistificando o que políticos e mídias como TV despejam para o público. E isso é suficiente. Um assunto sério como o abordado é realmente necessário que se vá direto ao ponto. E isso ele faz com maestria causando desconforto e indignação na plateia.

Com quase 3 horas de duração, o filme é um exemplo de ritmo. Apesar de pesado pelo conteúdo e didatismo já citado, Martírio é extremamente bem montado fazendo com que a experiência – ao menos em termos de duração – não seja sofrida.

Vale destacar a imparcialidade e desconstrução com que Carelli aborda o assunto, tomando parte apenas da história e não se apoiando em defender ou atacar um ou outro governo. Nada está a salvo, de Getúlio Vargas a Dilma Rousseff e, principalmente, o grande vilão chamado Capitalismo, onde a vida de 10 índios vale menos que uma vaca.

Martírio é um soco no estômago, um grito de socorro, um grande protesto político que merece ser visto a partir de amanhã, 13 de abril de2017.

Nota: 9.0

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