Crítica | Cara Gente Branca – 1ª temporada

A polêmica e nova série da Netflix Cara Gente Branca, arrebatou dislikes já a partir de seu teaser-trailer (assista aqui) dois meses atrás. Atualmente com 420.554 “Não gostei”, contra mais de 50.000 “Gostei”, Cara Gente Branca discute sobre racismo na América-pós racial usando-se de humor satírico e referências da cultura pop para acrescentar vários temas sociais presente. “Mas como assim ainda existe racismo?”

Como uma versão seriada do filme homônimo de 2014, a série conquistou muitos ativistas de causas sociais para militarem contra a produção, alegando o incentivo ao racismo contra brancos. Contra a maré, a série estreou no serviço de streaming com 10 episódios de 30 min cada, e assim como 13 Reasons Why, promete abrir a discussão sobre temas polêmicos para jovens.

Foto/Divulgação – Netflix

Cara Gente Branca, acompanha a comunidade jovem negra da Ivy League College, logo após os acontecimentos da “blackface party”, uma festa de halloween cujo o tema era “negros”. Todos na festa deveriam se pintar e “se vestir como negros”. Mas como que negros se vestem? Lutando contra a estereotipação e o racismo velado, Samantha White inicia seu programa de rádio “Cara Gente Branca” para ironizar a situação e acordar o campus. Mas o programa, claro, é entendido de forma diferente e uma bola de neve se forma.

A série tem êxito ao expor as diferentes situações em que o racismo está presente: atitudes, palavras e até frases de efeito. Brinca com as diferentes formas de militância e como que muitas delas muitas vezes não sabem pelo que estão lutando, apenas o fazem passivamente. E humaniza os mártires e protagonistas da luta. Nem sempre eles estão ali. Não vivem apenas para a luta e sobre a luta. São humanos!

Logan Browning como Samantha White.

Ao dar atenção a diversos núcleos importantes e utilizar-se frequentemente da desconstrução da narrativa, indo e voltando em acontecimentos para mostrar os diferentes lados da mesma história, a série consegue se divertir consigo mesma. Inclui assuntos como o descobrimento da sexualidade, a adaptação a novos grupos, fidelidade jornalística e inúmeros outros, sem deixá-los em aberto ou estufar a narrativa. Mesmo que alguns núcleos não tenham necessidade de existir.

Por se tratar de uma comédia satírica, ela zoa de si mesma, caindo em possíveis vexames como cenas de objetificação da mulher (existe um nu frontal feminino já nos primeiros episódios mas nenhum masculino é mostrado) e estereótipos homossexuais. Que não são o foco da narrativa e não serão percebidos naturalmente.

A série consegue sobreviver sem seu motivo inicial, mas seria mais uma sobre jovens americanos problemáticos e como vencer esses problemas. O elenco é incrível e a direção de todos os episódios é coerente. (Vale ressaltar a participação do diretor Barry Jenkins (Moonlight) dirigindo o episódio 5).

Logan Browning como Samantha White (Esq.) e Antoinette Robertson como Colandrea ‘Coco’ Conners.

Quanto a aspectos um pouco mais técnicos, a cinematografia da série é boa, principalmente no design de produção e enquadramentos. Mas o tratamento que as imagens recebem, os filtros, atrapalham bastante em diversas cenas. Excluem a nitidez e a realidade . Parece que tudo é visto por um filtro colorido de Instagram.

Cara Gente Branca é uma série de humor satírico que não será compreendida por todos de uma maneira uniforme. Com boa fotografia, ótimo roteiro, direção e elenco, é uma boa série para se divertir, refletir e militar. Nota: 8

Assista ao trailer legendado:

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