Crítica | Paris Pode Esperar (2017)

Essa semana chega aos cinemas mais uma obra da família Coppola, não da filha, nem do pai, mas da matriarca. Depois de vários anos sem exercer o papel de direção, desde o documentário Francis Ford Coppola – O Apocalipse de Um Cineasta (1991), Eleanor Coppola estreia em uma ficção aos gloriosos 80 anos de vida. A inspiração do roteiro, também escrito por Eleanor, veio quando ela perdeu um voo — devido a uma forte gripe — que sairia de Cannes, e deixou seu marido Francis seguir viagem para o Leste Europeu, enquanto ela seguiria viagem de carro para Paris.

Anne (Diane Lane) é a esposa de um produtor de Hollywood (Alec Baldwin) que está de viagem pela França e decide concluir o caminho com o francês Jacques (Arnaud Viard), amigo de seu marido, de carro até Paris, devido a impossibilidade de voar por fortes dores de ouvido. A viagem que era pra ser curta começa a alongar-se devido a vasta experiência, majoritariamente gastronômica, de Jacques que insiste em mostrar as melhoras coisas do caminho pra Anne. Durante esse processo ela conhece vários lugares e acaba conhecendo melhor de si mesma.

O filme não tem pretensões audaciosas, é uma trama leve com um olhar descontraído. Eleanor constrói uma quase “comédia romântica” com requinte e elegância. Ela retrata o conflito de uma uma mulher que sente o desgaste do casamento, mas que ainda possui muita vitalidade interior. O filme foi construído com uma linguagem bonita cinematograficamente que é um dom da família, tão unida que conseguimos notar algumas referências indiretas de fotografia e escolha de planos, e algumas mais diretas como as canções do genro trazidas pela banda “Phoenix” que recheiam a trilha.

O elenco também ajuda com a fluidez da trama. Diane Lane está confortável na pele de Anne, uma fotografa com o talento cerceado, com a maturidade e o frescor necessários. Alec Baldwin faz uma pequena ponta que agrega ao filme, e ajuda a explicar a personagem de Anne. Já Arnaud Viard, surge como uma caricatura de um francês bon vivant, que sabe tudo de gastronomia e sedução. O personagem é um pouco saturado, mas serve para mover nossa protagonista o que é o mais essencial.

Paris pode Esperar é um filme gostoso pra quem gosta de romances, comédias e filmes bem solares. Vale a pena conferir o novo trabalho de Eleanor Coppola nos cinemas.

Nota: 7/10

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