Crítica | A Múmia (2017)

Por Getúlio Ribeiro

Ultimamente duas características crescem paralelamente em relação a sétima arte: a criação de universos compartilhados e as pessoas que julgam de maneira precipitada a qualidade dos filmes sem nem mesmo terem assistido. O famoso “julgar o livro pela capa”. É de conhecimento geral que o marketing de “A Múmia” não está sendo dos melhores, no entanto inicia bem o universo compartilhado de monstros clássicos da Universal e, mesmo com seus defeitos, está longe de ser um completo desastre.

Sofia Boutella como Ahmanet, a Múmia título do filme.

Sem fugir a regra, “A Múmia” conta com o seu trio protagonista básico: o herói de caráter dubío Nick (Tom Cruise), a donzela em perigo Jenny (Annabele Wallis) e o medroso Chris (Jake Jonhson), os três funcionam bem juntos, mas não possuem metade da química e do carísma de Brendam Fraser, Rachel Weizs e John Hannah, protagonistas da refilmagem de 1999. A múmia da vez é a princesa Ahmanet, interpretada pela talentosa Sofia Boutella (Kingsman: Serviço Secreto). Assim como nos filmes anteriores ela é mumificada viva pelos crimes que cometeu, libertada milhares de anos depois pronta para propagar o caos por onde passa. A novidade fica mesmo por conta da Prodigium, organização secreta que estuda e combate o mal (além de ser uma ótima fonte de easter eggs), liderada por ninguém mais, ninguém menos que Dr. Jekyll (Russell Crowe) – ou Mr. Hyde se preferir -, e que será responsável por fazer a ponte entre os filmes do “Dark Universe“.

Russell Crowe como Dr. Jekyll em cena de “A Múmia”.

Dirigido por Alex Kutzman (Bem Vindo à Vida), o filme deixa de lado o clima aventuresco, marca registrada do longa de 1999, e volta as raízes do horror mais característico do original de 1932. Claro, limitado por conta da classificação  etária, porém Kurtzman consegue criar cenas tensas, graficamente assustadoras e até mesmo brinca com o subgênero de zumbis, tudo isso sem precisar derramar sangue. É na ação que o filme realmente se encontra. Frenética, exagerada e bem executada, o filme por vezes irá lhe fazer prender a respiração ou pensar em como aquele soco seco foi dolorido, grande parte disso por mérito de Tom Cruise, que no alge de seus 54 anos faz a maioria, se não todas, as cenas de ação do longa sem dublê, e de Kurtzman que evita a comodidade da edição frenética e utiliza de poucos cortes em lutas e cenas de colisão.

Tom Cruise em cena de “A Múmia”.

No fim, “A Múmia” é só mais um blockbuster tentando estabelecer uma franquia rentável assim como tantos outros. Bem realizada, ótima ação, boas risadas, uma vilã assustadora, um roteiro fraco, que encontra no seu terceiro ato algumas de suas maiores falhas, no entanto consegue te despertar a curiosidade de ver esse universo compartilhado ganhando forma. E se tem algo que se pode comparar com o filme de 1999, isso se chama diversão.

Nota: 6.0

 

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