Crítica II | Transformes: O Último Cavaleiro (2017)

É incrível como depois de 10 anos do lançamento do primeiro Transformers, Michael Bay ainda insiste em tentar reformular a sua fórmula de filme canastrão-robótico com explosões fora de controle, personagens femininas extremamente sexualizadas e piadas de mau gosto condensados numa história péssima e cansativa.

Transformers: O Último Cavaleiro já se inicia com o caos. A primeira cena apresenta corpos voando por todo o lado enquanto as chamas atravessam o céu na reimaginação dos Cavaleiros da Mesa Redonda de Michael Bay, na qual a magia de Merlin é um presente dos robôs alienígenas de Cybertron.

As últimas cenas, e isso não é um spoiler se você já viu um filme de Michael Bay, também apresentam corpos que voam por todo o lado enquanto o metal e as chamas atravessam o céu. No meio disso, há um pouco de mitologia, algumas cenas de correria e tiros, uma tonelada de slow-motion, uma rajada de racismo, um grande ator desperdiçado e um bando de personagens tediantes.

Já fazem anos que a franquia Transformers perdeu o interesse do grande público depois de inúmeras sequências que não haviam muito a oferecer além de explosões frenéticas a qual os olhos dos telespectadores não conseguem acompanhar e compreender.

Michael Bay até que conseguiu convencer o reboot realizado em Transformers: A Era da Extinção. Ele encontrou um ator carismático, Mark Wahlberg, e preencheu com um elenco de apoio melhor do que a média, e levou a ação dos Transformers para grandes conjuntos em todo o mundo. Claro que muitos problemas das sequências anteriores permaneceram fortes do reboot, mas até que ofereceu um pouco de esperança para a franquia.

A esperança morre durante Transformers: O Último Cavaleiro. Desde o início, tudo é uma bagunça incoerente. A filha de Cade e seu namorado – ambos personagens memoráveis do último filme – se foram, a filha sumiu com a desculpa escrachada da faculdade e do pai fugitivo. Ele pode salvar o mundo, mas ele não pode ver sua filha.

Alguns vilões do primeiro filme são mantidos, mas temos uma nova grande vilã cósmica chamada Quintessa (Gemma Chan), um ser interestelar que quer usar o planeta natal dos Transformers para destruir a Terra, sugando sua energia para recriar Cybertron. Ela é um vilã tão rasa e mal explicada que nunca se impõe como uma ameaça real.

Cade Yeager (Mark) encontrou um talismã em um transformer ancião, e essa relíquia o liga à longa e histórica história dos alienígenas com o Rei Arthur. À medida que esses filmes cresceram no orçamento, Bay empilhou mais e mais mitologia, e acho que essa foi a única maneira que o mesmo encontrou para criar um novo filme: não há muito o que seguir adiante na franquia, a solução então é mexer com figuras históricas enfiando robôs lutando até mesmo com nazistas. Não há outro lugar para ir.

Através de cenas extraordinariamente expositórias, cortesia de Sir Anthony Hopkins e John Turturro, aprendemos que os humanos conheciam os Transformers há séculos e que gênios notáveis como Mozart e até Stephen Hawking ajudaram a manter sua existência em segredo. Em troca, os robôs deram os presentes da raça humana, incluindo o relógio Transformer que matou Hitler. Não, não estou inventando isso. Tornar a mitologia desses carros assassinos na história do mundo não é uma má idéia, e reflete o prazer na língua que esses filmes poderiam ter sido, mas está tudo tão mal encaixado.

Antes que você possa realmente apreciar algo, estamos de volta com a revelação de que Cade agora tem uma conexão com os Transformers (por causa do talismã e por algumas outras bobagens que eu nem sei como explicar) e sua nova e linda amiga Vivian (Laura Haddock) é o único que pode exercer a equipe de Merlin, uma habilidade necessária para salvar a Terra.

Achou chato? Estenda essa premissa em duas horas e meia de projeção. Michael Bay é excelente em criar explosões, inclusive suas cenas de ação aqui são mais bem executadas e até mesmo visualmente lindas graças a boa utilização das câmeras IMAX, porém isso não consegue dar sustância a um filme tão longo com uma trama tão bagunçada e chata. Os personagens novos são chatos. Laura Haddock infelizmente acaba sendo apenas a personagem feminina da vez que usa roupas absurdamente apertadas e utiliza óculos apenas para tentar reforçar a imagem de que é inteligente, mas nenhum dos seus dois doutorados falam mais alto que a mudança de percepção da personagem ao ver Mark Wallberg sem camiseta.

A inclusão da jovem Isabela Moner é outra adição que não faz o menor sentido. Sua personagem simplesmente some no segundo ato e pouco acrescenta nos poucos momentos em cena.  Sinto muito em dizer que nem mesmo a presença de Sir Anthony Hopkins salva a situação crítica do novo elenco. Seu personagem tenta carregar uma série de piadas terríveis e deprimentes. A vontade é de sair do cinema de tamanha vergonha alheia.

Chegou o momento em que explosões aleatórias e piadas racistas não se sustentam mais no cinema. Michael Bay revelou que esse pode ser seu último Transformers, e espero que o estúdio abandone o projeto junto mesmo com o cliffhanger deixado durante os créditos de O Último Cavaleiro. Já deu.

Nota: 4

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