Crítica | Valerian e a Cidade dos Mil Planetas (2017)

Século XXVIII. Valerian (Dane DeHaan) é um agente viajante do tempo e do espaço que luta ao lado da parceira Laureline (Cara Delevingne), por quem é apaixonado, em defesa da Terra e seus planetas aliados, continuamente atacados por bandidos intergaláticos. Quando chegam no planeta Alpha, eles precisarão acabar com uma operação comandada por grandes forças que deseja destruir os sonhos e as vidas dos dezessete milhões de habitantes do planeta.

O novo filme de Luc Besson é algo que ele tem estado com vontade de fazer há mais de 20 anos. Baseado em aventuras cósmicas retiradas de quadrinhos (que pasmem, serviu como inspiração para Star Wars) o diretor aqui se diverte realizando uma aventura espacial descompromissada à lá Doctor Who e até mesmo O Guia do Mochileiro das Galáxias.

Isso permitiu que ele se soltasse com as técnicas digitais que desejava ter recebido no quinto elemento. E ele fez isso em seus próprios termos, sem qualquer interferência de estúdio, apesar do enorme orçamento de U$180 milhões da produção. Em suma, Valerian e a Cidade dos Mil planetas é o empreendimento cinematográfico mais ambicioso e colossal da indústria, depois de James Cameron com Avatar.

O resultado é um parque temático de encher os olhos, ilimitado, inúmeros detalhes e cores, sem qualquer sensação de restrição criativa que faz com que a maioria das outras óperas espaciais pareçam precárias e tímidas.

Se você pensou que O Destino de Júpiter era visualmente conservador e insuficientemente desconcertante, ou que O Despertar da Força teria sido melhor com uma sequência de cinco minutos em que Rihanna dança como uma garota de programa alien, então Valerian é o filme para você. Com águas-vivas que comem lembranças, monstros aquáticos do tamanho de catedrais e mercados intergalácticos recheados de diversas raças, existindo simultaneamente em diferentes dimensões. É como se os Guardiões da Galáxia de James Gunn tivessem sido fundidos com os filmes da franquia Star Wars.

De certa forma, Besson aqui merece reconhecimento. Esta é uma construção mundial onde nem mesmo o céu é o limite e cada quadro é recheado com invenções loucas. Mas o que está faltando é … bem … tudo mais. História, personagem, coerência, uma sensação de ritmo. Cada quadro está tão recheado com invenções que em dois minutos e meio de duração, Valerian é uma maratona corrida na qual você não tem interesse em acompanhar. É cansativo.

Dane Dehaan (esq.) como Valerian e Cara Delevingne como Laureline. Foto: Divulgação

Como se todas as informações perdidas jogadas na trama de Valerian não bastassem, há um romancezinho entre os personagens dos atores Dane DeHaan e Cara Delevingne, onde nada é palpável ou faz sentido. Diálogos aleatórios apenas para que ambos flertem como duas crianças de 12 anos. Eles se comunicam apenas com frases clichês de romances platônicos inexplicáveis. “Meu coração pertencerá a você e a ninguém mais”, diz Valerian; “Você tem medo de ter um compromisso”, responde Laureline, com a atuação da Cara Delevingne que mais se assemelha a um drone até então.

Luc Besson pôde organizar as poderosas forças da computação gráfica para criar artesanalmente qualquer monstro ou nave espacial bizarra que seu subconsciente imaginou, mas ele não conseguiu criar qualquer química entre esses dois. DeHaan, um excelente ator, é o soldado garanhão que obedece qualquer tipo de ordem, sem qualquer tipo de motivação ou características mais humanas.

Delevingne foi cotada para ser a falsa personagem feminina empoderada. Ela é a assistente de Valerian, que mesmo mostrando ser capaz de realizar tarefas árduas em alguns momentos, ainda precisa ser subitamente transformada na donzela em perigo que arruma tempo para sentir ciúmes sobrenaturais do seu par romântico. Isso, junto a atuação robótica da atriz, dá um resultado vergonhoso, mas não mais vergonhoso quanto a participação da cantora Rihanna no filme. Ela interpreta Bubble, um tipo de alienígena que pode tomar a forma de qualquer ser vivo. Em certos momentos vemos somente uma bolha azul feita de CGI falando com a dublagem da cantora, e é difícil selecionar qual o pior momento dela no filme.

Alienígena Bubble, duplado pela cantora Rihanna e Dane Dehaan como Valerian. Foto: Divulgação

O material promocional de Valerian é recheado com as cenas graficamente mais bem feitas do filme. Há uma sequência logo no início que é feita inteiramente em CGI, e é muito, muito bonita. Porém é essa beleza gráfica que permeia o filme para preencher o enredo completamente desinteressante e cansativo que dura mais de duas horas.

Uma ópera espacial extremamente ambiciosa, mas também um pântano narrativo auto-indulgente. Às vezes, parece, a criatividade pode se beneficiar de algumas limitações.

Nota: 7

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